segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Dos veraneantes
Podia ser uma ida à praia tipicamente normal, com um frasco de protetor solar, duas ou três moedas para umas bolas de berlim e um chapéu de sol anexado a duas tendas, como tenho visto tanto, mas não. Cada ida minha à praia é uma espécie de odisseia à beira-mar.
Tendas não tenho. Portanto, assim que o chapéu de sol fica bem (muito bem enterrado, por excesso de zelo meu e pouca vontade de correr atrás dele pelo areal fora perante os olhares divertidos das famílias), cadeira posta à sombra de forma a que as pernas apanhem sol mas o restante corpo goze de uma sombra reconfortante, livro e revistas em cima do saco, que as capas não podem ver grãos de areia sem os atraírem numa dança viva de electricidade estática, protector solar posto, sandes de queijo e alface distribuídas, tigelas de fruta descascada distribuídas, eu sento-me de garrafa de água fresca na mão a observar as restantes pessoas.
É precisamente isso: eu observo, estilo gaivota, por detrás dos meus óculos de sol, tudo.
Hoje, uma vez mais, observei os chapéus floridos do casal de meia idade sentados dois metros à frente, enquanto discutiam com especial fervor as últimas da política.
Ele, com o peito coberto de pêlos brancos, umas pernas muito magras para o corpo que tem. Ela de sorrisinho fácil, com uma lancheira carregada até ao topo com sandes, bolachas, pacotes enxutos de batatas fritas e sumos.
Ao lado direito, uma mulher. Ela fazia topless, com a pele tão tostada a fazer lembrar canela.
E depois as famílias de dez, a quem se juntam pelo menos cinco amigos. Grupos grandes que falam sem parar.
E eu gosto disto. De estar calada a observar o mundo.
E depois vamos à beira-mar e fico de pés dentro das poças, a ver as ondas a desfazerem-se na areia. E pego na areia molhada com os dedos dos pés e faço desenhos abstratos cujo sentido é nenhum.
E depois vem uma bola de futebol atirada sabe-se lá de onde. E depois ganho coragem e entro na água e nado, nado, nado.
Viro-me para cima e fico a boiar, a ver o céu. Se houverem ondas, limito-me a nadar e a ir confirmando que não perdi o bikini ou o fato de banho nos mergulhos, numa das rebentações das ondas.
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1 comentário:
é uma excelente descrição do que a maioria faz na parte :p
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